<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2265749912948014423</id><updated>2012-02-16T02:59:41.500-08:00</updated><category term='Merten'/><category term='barbaridades irrefletidas'/><category term='Film Socialisme'/><category term='coisas'/><category term='crítica'/><category term='Gödel'/><category term='Escher'/><category term='Bach'/><category term='cinema'/><category term='Godard'/><title type='text'>barbaridades irrefletidas</title><subtitle type='html'>Parece que existe no cérebro uma zona perfeitamente específica que poderia chamar-se memória poética e que regista aquilo que nos encantou, aquilo que nos comoveu, aquilo que dá à nossa vida a sua beleza própria(...)

(Milan Kundera- A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Lana Ruff</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17369907421370811421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://1.bp.blogspot.com/-NsVUAVDTZiU/TglFWYYAjTI/AAAAAAAAACI/DnLFv0dnSIo/s220/DSC04530c.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>21</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2265749912948014423.post-1077284803492906739</id><published>2012-01-14T16:05:00.000-08:00</published><updated>2012-01-14T16:06:14.861-08:00</updated><title type='text'>Perfil: Charleaux</title><content type='html'>Charleaux sabia que, às 18h30 do dia 10 de novembro de 2011, uma quinta-feira escaldada pelo calor paulistano, tinha que estar em frente à entrada da Livraria Cultura da Avenida Paulista. Ele e seus quase dois metros de altura apareceram num andar meio desengonçado e encurvado com sua mochila nas costas, com um olhar sério sob as armações pretas de seus óculos, dizendo que queria comprar um livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Paulo, um jornalista meio alternativo de trinta e dois anos, usava uma camisa xadrez, acompanhada de um jeans básico e um all star sujo e velho. Sua expressão tensa contradizia com sua forma expansiva de gesticular e seus modos bem-educados. Enquanto andava vagarosamente, criticou a superlotação da livraria, da Avenida Paulista, de São Paulo, e sugeriu um restaurante logo na esquina. Entrando no local, olhou para cima e comentou que comeria um pão na chapa numa “padoca” pra acompanhar a conversa, mas logo em seguida desistiu da idéia, talvez por preguiça de andar mais. Na primeira mesa vazia que avistou, puxou uma cadeira e estendeu os braços, como se quisesse dizer: “Pode se sentar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu uma olhada no cardápio como quem buscasse algo específico, mas franziu o nariz com uma expressão de dúvida. “O que você vai querer?”, perguntou. Depois de olhar o cardápio mais alguns segundos, chamou o garçom: “Dois sucos de laranja, por favor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estava cansado e tinha olheiras profundas por não ter dormido na noite anterior. Charleaux havia vindo do Chile para São Paulo participar de uma reunião da Oboré, empresa onde trabalha, e outra da Folha de S. Paulo, jornal para o qual produz alguns textos como correspondente. Afirmou que não gostava de entrar em detalhes sobre sua vida pessoal. Mesmo assim, pôs-se logo a relatar uma de suas experiências como adolescente que mais lhe marcaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2010, sua sogra teve câncer, contou, e ele e sua mulher, Marly, concordaram em ir para o interior do Chile, onde ela morava. Charleaux largou seu emprego n’O Estado de S.Paulo e passou cerca de seis meses cuidando de ovelha e mel numa montanha a 700 quilômetros ao sul de Santiago onde nem eletricidade tinha. “Esqueci o jornalismo por meio ano”. Ele parecia tentar demonstrar um ar de indiferença, meio forçadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os sucos chegaram, começou a contar que mora atualmente em Temuco: “É um pouco mais ‘cidade’, mas na frente da minha casa tem cavalo, vaca, essas coisas”. Charleaux não liga para o clima bucólico. Muito pelo contrário, ele faz questão várias vezes de deixar claro que o trabalho que faz como freelancer para a Folha de S.Paulo é apenas por necessidade, já que sua profissão natural é cozinhar. Ele ama passar seu tempo com o filho e o classifica como seu melhor amigo. Por isso, sua carreira não é no jornalismo, e sim como “dono de casa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando perguntado sobre seu trabalho na Oboré, uma empresa especializada em projetos comunicacionais, Charleaux recuou um pouco como se um ponto delicado de sua vida tivesse sido tocado. “Grande!”, chamou o garçom: “O que tem lá de bom de doce? Você não quer um doce?” A torta de nozes que pediu deu-lhe coragem pra continuar e, após respirar fundo, contou que levou quatro anos de sua vida alternando-se entre emprego e faculdade, o que lhe rendeu uma série de problemas. “Eu não tinha carro, meu pai tinha um carro só e não dava pra pegar. Eu vou começar a chorar...”, disse. Contou que nessa época desenvolveu uma espécie de síndrome do pânico, passou a ter ataques de ansiedade e de bipolaridade e começou a demonstrar alguns sintomas que nem ele sabe classificar. Toma remédios de tarja preta até hoje e deixa escapar às vezes alguns resquícios dessas perturbações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Paulo Charleaux gosta de encontrar em qualquer tipo de assunto uma deixa para refletir questões da vida e da sociedade. Carrega uma expressão de intensidade, de profundidade, meio confuso com uma aparente tempestade de idéias que passam por sua cabeça a cada minuto. Talvez como uma decorrência de sua essência reflexiva, consegue apresentar pontos analíticos para cada situação que lhe é colocada à frente. A respeito de sua primeira experiência no exterior, quando foi a Havanna aos dezenove anos participar de um congresso da Associação Mundial de Rádio Comunitária, contou: “Eu vi muita coisa acontecendo ali. As casas que eu visitei, os cubanos que eu conheci, tudo isso foi muito efervescente, eu fiquei muito tempo com isso tudo dando volta. Eu sou muito sensível às coisas”. Ficou na cidade cerca de dez dias e foi lá que conheceu sua esposa. “Eu sou muito tímido, passou uma semana e não aconteceu nada entre nós. […] E no ultimo dia fiquei com a Marly... um dia”, contou, olhando mais uma vez para cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando entrou no assunto, desatou a falar sem criar pausas para mastigar sua torta. Contou com a boca cheia que vencera um concurso de jornalismo de um lugar chamado 25 de abril e ganhara a oportunidade de ir a Portugal. Seu tom ao relatar essa experiência, apesar da boca cheia, não foi de satisfação ou orgulho, mas de descaso, como se o prêmio não tivesse sido merecido, mas o concurso que era fácil demais. Charleaux não pareceu atribuir qualquer valor que fosse à conquista, mas disse que não tinha muita noção de onde ficava Portugal – ou a Espanha, onde Marly estava então: “Ainda sou bastante burro, mas eu era mais”, afirmou, olhando para baixo desta vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Charleaux demonstra ter uma auto-estima tremendamente baixa, e ele não deixa de lembrar a si mesmo e aos outros suas principais “falhas”. Quando falava de sua história, explicou que prestou vestibular na Universidade Federal do Paraná, mas zerou em algumas matérias exatas. “Sou muito burro, né, aí caí fora. Contou então que acabou prestando uma universidade em Santos e passou entre os cinco primeiros. Fez questão de ressaltar: “ Na UniSantos eu me saí bem […], o que diz muito sobre a qualidade do bagulho”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua humildade ultrapassa muitas vezes a tênue linha que a separa da insegurança. Quando perguntado sobre as causas que o levaram a fazer jornalismo, Charleaux disse que o que queria mesmo era ser mordomo. Acabou entrando para essa area porque tinha amigos que tocavam numa banda de rock e eram jornalistas. A vida “legal” deles foi o que o influenciou. No entanto, agora que trabalha para o veículo de maior circulação no Brasil, considera: “Eu não sou da Folha. […] Eles me pagam por matéria e eu não sou ninguém lá”. E como sempre, analisando sua situação por um lado filosófico, de um ponto de vista mais geral, acredita: “Não existe carreira, isso é bobagem. ‘Jornalista’… Não existe nada disso, são apenas palavras. […] Você faz coisas, toma opções, e por isso eu estou aqui”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Charleaux parece, de uma forma inconsciente, unir duas de suas características mais marcantes para construir suas visões e ideias. Seu modo reflexivo e analítico de perceber as coisas à sua volta, bem como a insegurança inerente à sua personalidade, faz com que ele se mostre um tanto em cima do muro, como quem tem medo de emitir opiniões. Independentemente do tema em questão, Charleaux, quase como um jornalista nato, prefere apresentar ao menos os dois lados da moeda e dizer: “Ainda estou formando minha opinião em relação a isso”. Quando falava de uma matéria que fez sobre a Cruz Vermelha no Haiti, contou, num tom agoniado: “Tinha outro envolvimento com a notícia, sabe? […] menos descritivo, menos discursivo. E o jornal é isso, ficar contando as coisas meio distante”. Ele incomoda-se com a distância que o jornalismo tem dos fatos reais. Afirma fazer seu trabalho apenas porque precisa, mas admite uma certa razão dos grandes veículos. “Eu via criança morrer e escrevia. Tenho certeza de que minha matéria não provocou nada […] Talvez não deva provocar mesmo, né? Mas isso gera questionamentos existenciais”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Charleaux não tem muita habilidade para clarezas. Em meio a uma conversa, joga lembranças e ideias como num fluxo de consciência, sem dar muita continuidade ao assunto em questão. Enquanto discorria sobre sua vida na Oboré, e as patologias que desenvolveu, perdeu-se nas memórias de seu trabalho num programa de rádio sobre sindicatos de trabalhadores rurais. Sem que terminasse ou concluísse seu raciocínio, passou a refletir sobre o aspecto da pobreza com o qual lidou de perto nessa época. “Me deu uma noção muito clara de pobreza, de trabalhar, de injustiça social […] Essa gente existe, sabe? É bastante importante você compartir da existência e da luta dessas pessoas. É diferente você dar bom dia pra sua empregada de manhã sabendo que ela veio da puta que pariu de trem. Você vê qual é”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fim de cada assunto, diz “Olha, isso é bem complexo. Podemos ficar aqui vários dias conversando”. E então perde a linha de raciocínio mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Charleaux é capaz de discorrer sobre a atual situação do jornalismo no Brasil, como ele mesmo diz, por alguns dias. O que ele sempre frisa, no entanto, é que é preciso avaliar os fatos com a cabeça aberta, mas os jornalistas brasileiros não podem fazer isso na imprensa. Critica a grande quantidade de material estrangeiro sobre a própria América Latina que nós, brasileiros compramos, e explica, mais uma vez olhando para cima: “Se a gente não ficasse só comprando artigo de gringo, se produzíssemos aqui uma reflexão – como deveríamos – poderíamos dar conta dessa realidade mais complexa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de pedir um café, como se num gesto sutil pedisse para finalizar o papo, Charleaux admitiu sonhar que os jornais brasileiros sejam vistos como produtores de conhecimento e observadores . “É importante, precisa acontecer isso, alguma audácia”. Depois, quase arrependido de ter lapidado uma opinião tão forte, deu o ultimo gole em seu café e disse “É por isso que eu não gosto dessas entrevistas. Não existe carreira, existe gente. A gente faz coisas, se apaixona e tal”. Charleaux pediu que o gravador fosse desligado, mostrando-se evidentemente incomodado, e pediu desculpas: “Sou meio sensível às coisas, sabe?”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2265749912948014423-1077284803492906739?l=barbaridadesirrefletidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/feeds/1077284803492906739/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2012/01/perfil-charleaux.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/1077284803492906739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/1077284803492906739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2012/01/perfil-charleaux.html' title='Perfil: Charleaux'/><author><name>Lana Ruff</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17369907421370811421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://1.bp.blogspot.com/-NsVUAVDTZiU/TglFWYYAjTI/AAAAAAAAACI/DnLFv0dnSIo/s220/DSC04530c.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2265749912948014423.post-3085226801525263884</id><published>2011-11-29T08:54:00.000-08:00</published><updated>2011-11-29T09:04:15.618-08:00</updated><title type='text'>Ciclo</title><content type='html'>No baque de um tiro&lt;br /&gt;Ardeu&lt;br /&gt;E no ardor da minha dor&lt;br /&gt;Vibrou&lt;br /&gt;Vibração do teu eco, só tão seu&lt;br /&gt;Remanesceu&lt;br /&gt;essência da tua voz e alma&lt;br /&gt;Ventou&lt;br /&gt;Quando do vento fez-se a calma&lt;br /&gt;Calmou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí pronto&lt;br /&gt;O meu gatilho emocional você&lt;br /&gt;Puxou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no baque de um tiro&lt;br /&gt;Ardeu&lt;br /&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2265749912948014423-3085226801525263884?l=barbaridadesirrefletidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/feeds/3085226801525263884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/11/ciclo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/3085226801525263884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/3085226801525263884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/11/ciclo.html' title='Ciclo'/><author><name>Lana Ruff</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17369907421370811421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://1.bp.blogspot.com/-NsVUAVDTZiU/TglFWYYAjTI/AAAAAAAAACI/DnLFv0dnSIo/s220/DSC04530c.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2265749912948014423.post-8239614851535969114</id><published>2011-11-14T18:38:00.000-08:00</published><updated>2011-11-14T18:48:41.149-08:00</updated><title type='text'>A veemência secular à ignorância</title><content type='html'>No ínterim do caso USP, vi na internet centenas de compartilhamentos de textos opinativos, charges afiadas e imagens de conteúdo sarcástico. A maioria deles preza pelo "questionamento de verdades absolutas" e roga para que o povo não acredite no que é divulgado pela mídia, mas tente entender a fundo o que se passa como alguém que está envolvido na situação. A ironia está no fato de os autores desses textos, das charges e das imagens tão disseminadas ultimamente serem a própria grande mídia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nenhum momento vi um texto – ou que fossem três linhas – escrito por alguém “normal” – ou, para explicar melhor, alguém que não faça parte da turma dos formadores de opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada contra o José Nêumanne Pinto ou o Juca Kfouri, mas de que adianta criticar a tal da “mídia”, ou melhor, o conceito dela, se no final sustentamos a própria com “nossas” opiniões? De que adianta martirizar esse monstro abstrato, se, no fim, o consumo que temos dela é o que acaba nos consumindo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de pensar que o termo “massa” não existe por acaso, mas quer dizer algo passível de ser moldado por mãos “superiores” ou, de certo ponto de vista, sagradas. E como duvidar do poder sacro da tal mídia, sabendo que, nem mesmo quando queremos criticá-la, conseguimos nos livrar dela? Hoje, o que vejo é a sua utilização como forma de expressar opinião, e o caso USP é apenas um exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim, não sei de fato se o que ocorre é apenas a preguiça de pensar ou, de certa forma, uma veemência à ignorância, uma vez que é muito mais fácil apertar um botão e dizer “É isto o que penso”. Expor o que te faz pensar isso, por que te faz pensar isso e como te faz pensar isso não teria sentido, já que “isso” já foi lapidado ali por alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale deixar claro que não foi minha intenção em nenhum momento expressar opiniões acerca do caso USP especificamente. E nem se quisesse, conseguiria maniqueizar uma questão que vai além de termos politicos, mas atinge âmbitos econômicos, históricos e sociológicos. A quem interessar possa, se for pra opinar, que seja numa conversa que transcenda o agora tão corriqueiro “Você é contra ou a favor da PM no campus?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haja preguiça de pensar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2265749912948014423-8239614851535969114?l=barbaridadesirrefletidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/feeds/8239614851535969114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/11/veemencia-secular-ignorancia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/8239614851535969114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/8239614851535969114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/11/veemencia-secular-ignorancia.html' title='A veemência secular à ignorância'/><author><name>Lana Ruff</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17369907421370811421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://1.bp.blogspot.com/-NsVUAVDTZiU/TglFWYYAjTI/AAAAAAAAACI/DnLFv0dnSIo/s220/DSC04530c.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2265749912948014423.post-5948088516422458095</id><published>2011-11-14T17:30:00.000-08:00</published><updated>2011-11-14T17:34:20.975-08:00</updated><title type='text'>Amor sinestésico</title><content type='html'>Tudo se mistura em sensações. Sem saber o que é cheiro, o que é gosto, sem perceber o que é imagem e o que é ilusão,&lt;br /&gt;me confundo na percepção dos seus atos.&lt;br /&gt;Não lembro o que é memória, não vejo nada do real. Mas entendo meus sentidos como uma coisa só, num tempo só e num momento sem tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso,&lt;br /&gt;Sinto o gosto do seu toque sem nem mesmo aguçar meu olfato&lt;br /&gt;Vejo seu cheiro passando, voraz num ruído rítmico&lt;br /&gt;Sinto o olhar da sua voz acariciando meu palato&lt;br /&gt;Percebo o toque do seu gosto se abrindo como uma figura nítida&lt;br /&gt;E nesse ritmo dos sentidos, que se encontram numa dança,&lt;br /&gt;Ouço sua imagem no tato da minha lembrança&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem saber o que é cheiro e o que é gosto, sem diferenciar um toque de um vento, sem entender o real ou o ilusório, sem perceber o meu tempo, o seu tempo e o não tempo.&lt;br /&gt;Sabendo só que não sei você. Sei (só) sua saudade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2265749912948014423-5948088516422458095?l=barbaridadesirrefletidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/feeds/5948088516422458095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/11/amor-sinestesico.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/5948088516422458095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/5948088516422458095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/11/amor-sinestesico.html' title='Amor sinestésico'/><author><name>Lana Ruff</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17369907421370811421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://1.bp.blogspot.com/-NsVUAVDTZiU/TglFWYYAjTI/AAAAAAAAACI/DnLFv0dnSIo/s220/DSC04530c.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2265749912948014423.post-1970440100739708882</id><published>2011-10-20T17:59:00.000-07:00</published><updated>2011-11-14T18:40:21.805-08:00</updated><title type='text'>Maldita</title><content type='html'>Eram quatro horas de uma tarde de janeiro e fazia 6oC na Rua Augusta, em Lisboa. Lá fora, o sol vigoroso fracassava na tentativa de aquecer o que o inverno esfriava. O céu, no entanto, era um azul só e, nas calçadas, clientes acomodados em mesinhas de madeira para um chá da tarde deliciavam-se com o fado de Amália que tocava na loja de discos. O cheiro, uma mistura de uma leva de pastéis de Belém acabados de sair do forno, com a brisa do Tejo que fluía lá depois da Praça do Comércio. Dentro de um restaurante, esperava meu bacalhau cozido com batatas e tomava uma água com gás. Duas senhoras em sua melhor idade sentadas ao meu lado conversavam e tomavam um café preto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Será que ele não pod' fechar esta cortina? – ouvi uma delas reclamar.&lt;br /&gt;- O que acontece? É ela a vir? – perguntou a amiga.&lt;br /&gt;- Sim. Tardou, mas não falhou.&lt;br /&gt;- Tem certeza d' que não está enganada?&lt;br /&gt;- Tenho sim, está a me seguir há semanas, esta maldita.&lt;br /&gt;- Ora pois, livre-se dela duma vez. Conheço a pessoa e a solução perfeitas pra t' ajudar.&lt;br /&gt;- É sério? Ajud'-me então. Quero dar um jeito nela, mas não sei como.&lt;br /&gt;- Bem, a primeira coisa a se fazer é...&lt;br /&gt;- Ora, fale baixo minha cara, não queremos ser indiscretas.&lt;br /&gt;- Ah sim, estás certa.&lt;br /&gt;Meu bacalhau acabara de chegar à mesa.&lt;br /&gt;- Conte-me quando estivermos sozinhas. Melhor.&lt;br /&gt;- Sim. Melhor.&lt;br /&gt;- Com licença, não vais ficar chateada comigo, mas se incomoda se eu p’rguntar quanto vale est’ prato? – virou-se para mim docemente.&lt;br /&gt;Eu na verdade nem tinha olhado o preço no cardápio, então não sabia.&lt;br /&gt;- Imagine. Não tenho certeza, mas acho que seis euros.&lt;br /&gt;Ela acenou com a cabeça e voltou à cúmplice:&lt;br /&gt;- Não sei quanto ao daqui, cara, mas o bacalhau à Braz do Correeiros é bastant’ bom.&lt;br /&gt;- Hum...&lt;br /&gt;- Mas mais caro.&lt;br /&gt;- Hum...&lt;br /&gt;- Outra coisa que ‘stá a me perseguir e a me deixar louca é esta fome que não se acaba.&lt;br /&gt;A colega ria discretamente com a mudança casual de assunto.&lt;br /&gt;- Já tomei meu café d’ tarde, comi três daqueles pasteizinhos que a dona Piedade faz, iguaizinhos aos da Fabriquinha, e quero almoçar mais uma outra vez!&lt;br /&gt;- Almoces, ora pois!&lt;br /&gt;- ‘Stou a tomar um remédio para o cansaço. Só pode ser. Só pode ser ele que ‘stá a me dar sempre “ap’tite”.&lt;br /&gt;- Sim, sim. E bacalhoada não fará lá m’to bem a essas horas.&lt;br /&gt;- Um doce!&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;- Joaquim, traga-me o creme da casa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que falavam sobre menopausa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2265749912948014423-1970440100739708882?l=barbaridadesirrefletidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/feeds/1970440100739708882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/10/maldita.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/1970440100739708882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/1970440100739708882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/10/maldita.html' title='Maldita'/><author><name>Lana Ruff</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17369907421370811421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://1.bp.blogspot.com/-NsVUAVDTZiU/TglFWYYAjTI/AAAAAAAAACI/DnLFv0dnSIo/s220/DSC04530c.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2265749912948014423.post-167393282777440842</id><published>2011-10-19T18:39:00.001-07:00</published><updated>2011-10-19T18:39:36.557-07:00</updated><title type='text'>Ici</title><content type='html'>Flui cinza, nunca índigo&lt;br /&gt;O rio&lt;br /&gt;Venta em alvidão,  mas não vejo uniformidade&lt;br /&gt;No céu&lt;br /&gt;A noite aberta em outros, lá é&lt;br /&gt;Fechada em mim&lt;br /&gt;E como a gota d’água&lt;br /&gt;A lua enche em clarão&lt;br /&gt;Não mais em metáfora&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2265749912948014423-167393282777440842?l=barbaridadesirrefletidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/feeds/167393282777440842/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/10/ici.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/167393282777440842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/167393282777440842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/10/ici.html' title='Ici'/><author><name>Lana Ruff</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17369907421370811421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://1.bp.blogspot.com/-NsVUAVDTZiU/TglFWYYAjTI/AAAAAAAAACI/DnLFv0dnSIo/s220/DSC04530c.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2265749912948014423.post-6731712939876649751</id><published>2011-10-19T18:34:00.000-07:00</published><updated>2011-10-19T18:36:38.466-07:00</updated><title type='text'>Dentro</title><content type='html'>Caio outra vez sob o peso do medo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem que minhas pernas tremam&lt;br /&gt;Sucumbo ao tremor tempestuoso&lt;br /&gt;Que vigora dentro de minha mente&lt;br /&gt;De meus pensamentos&lt;br /&gt;De minhas especulações&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior dos riscos está por vir e&lt;br /&gt;Sua idéia faz-se tão suficientemente presente&lt;br /&gt;De tal forma que não me atrai mais um no momento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdão&lt;br /&gt;Por ser medrosa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2265749912948014423-6731712939876649751?l=barbaridadesirrefletidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/feeds/6731712939876649751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/10/dentro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/6731712939876649751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/6731712939876649751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/10/dentro.html' title='Dentro'/><author><name>Lana Ruff</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17369907421370811421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://1.bp.blogspot.com/-NsVUAVDTZiU/TglFWYYAjTI/AAAAAAAAACI/DnLFv0dnSIo/s220/DSC04530c.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2265749912948014423.post-8354453542724904872</id><published>2011-10-19T18:14:00.000-07:00</published><updated>2011-11-05T12:50:50.497-07:00</updated><title type='text'>Vanguarda parnasiana</title><content type='html'>Gostaria de saber ser poética&lt;br /&gt;Saber rimar como manda a estética&lt;br /&gt;Mas consideremos uma situação hipotética&lt;br /&gt;Em que eu não ligue tanto pra fonética&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria tanta heresia&lt;br /&gt;Criar em ‘obra’ uma assimetria&lt;br /&gt;E ao feio fazer apologia&lt;br /&gt;E no lindo transpor anomalia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minto,&lt;br /&gt;Jamais seria tão cética&lt;br /&gt;A ponto de tornar-me herética&lt;br /&gt;E ignorar toda a dialética&lt;br /&gt;Dessa tal poesia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2265749912948014423-8354453542724904872?l=barbaridadesirrefletidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/feeds/8354453542724904872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/10/vanguarda-parnasiana.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/8354453542724904872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/8354453542724904872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/10/vanguarda-parnasiana.html' title='Vanguarda parnasiana'/><author><name>Lana Ruff</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17369907421370811421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://1.bp.blogspot.com/-NsVUAVDTZiU/TglFWYYAjTI/AAAAAAAAACI/DnLFv0dnSIo/s220/DSC04530c.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2265749912948014423.post-1513446617446363926</id><published>2011-10-10T20:22:00.000-07:00</published><updated>2011-11-14T18:40:48.937-08:00</updated><title type='text'>Primavera escolar</title><content type='html'>Desabafo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma manhã de terça-feira. Os raios solares trespassavam as frestas entre as folhagens das árvores de pau-ferro. A pequena, porém rara variedade na flora cheirava a nostalgia, e a alta freqüência do canto dos pássaros ao longe brigava com os murmúrios vindos de dentro dos prédios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do verde, formas esfumaçadas constituíam-se em nuvens passantes, e o olor da brisa contrastava com o tabaco tragado e cuspido nos arredores. Em volta, tijolos envelhecidos das construções em meio ao bosque ralo alternavam-se com janelas de vidro e vigas enferrujadas. Da mesma forma, no chão, restos de cigarro intercalavam-se com o manifesto silencioso do musgo que nascia debaixo das pedras cimentadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sabor era de tempos passados, e havia no ar uma sensação de tranqüilidade, não obstante pairasse no ar o desespero berrante inerente aos alunos que caminhavam por lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2265749912948014423-1513446617446363926?l=barbaridadesirrefletidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/feeds/1513446617446363926/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/10/primavera-escolar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/1513446617446363926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/1513446617446363926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/10/primavera-escolar.html' title='Primavera escolar'/><author><name>Lana Ruff</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17369907421370811421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://1.bp.blogspot.com/-NsVUAVDTZiU/TglFWYYAjTI/AAAAAAAAACI/DnLFv0dnSIo/s220/DSC04530c.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2265749912948014423.post-1667960616887226536</id><published>2011-08-15T20:58:00.001-07:00</published><updated>2011-08-15T21:00:11.306-07:00</updated><title type='text'>Então</title><content type='html'>Que a fumaça que um dia respirei&lt;br /&gt;Fortaleça-se em pedra dura&lt;br /&gt;E o cimento que antes pisei&lt;br /&gt;Então se intensifique, mas crie rachaduras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que a nuvem que tanto contemplava&lt;br /&gt;Tome formas, esbanje sorrisos&lt;br /&gt;E a chuva que silenciava&lt;br /&gt;Dê espaço ao vento, deixe entrar suspiros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que as árvores que choram folhas&lt;br /&gt;Respirem o ar que desdenhei&lt;br /&gt;Mas que o outono vire primavera&lt;br /&gt;E que o que era memória se apresente ao meu olho&lt;br /&gt;E que o que agora morre volte a nascer&lt;br /&gt;Mas que deixe de ser o que era&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque quero que o antes retorne&lt;br /&gt;E se torne&lt;br /&gt;O depois pelo qual aguardei&lt;br /&gt;E que quem me tem agora&lt;br /&gt;Ouça quando me vir ir embora&lt;br /&gt;O Adeus por que tanto esperei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que o choro que agora me afaga&lt;br /&gt;Perca lugar para desconhecidos vícios&lt;br /&gt;Porque o choro é então, e é então que ele se acaba&lt;br /&gt;E é ofuscado por riso infinito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, desejo que a nostalgia de um inverno&lt;br /&gt;Dê lugar à saudade do verão&lt;br /&gt;E que o agora dê lugar ao então&lt;br /&gt;E que esse então – meu inverno – seja eterno&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2265749912948014423-1667960616887226536?l=barbaridadesirrefletidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/feeds/1667960616887226536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/08/entao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/1667960616887226536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/1667960616887226536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/08/entao.html' title='Então'/><author><name>Lana Ruff</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17369907421370811421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://1.bp.blogspot.com/-NsVUAVDTZiU/TglFWYYAjTI/AAAAAAAAACI/DnLFv0dnSIo/s220/DSC04530c.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2265749912948014423.post-5110826544541630892</id><published>2011-08-03T05:16:00.000-07:00</published><updated>2011-11-14T18:41:50.484-08:00</updated><title type='text'>Paris, arte e o tempo: fuga infinita</title><content type='html'>Foi bom ver Woody Allen apelar para a sua necessidade de fuga da realidade e se utilizar de sua capacidade de extravasar e se expressar – expressionar, na verdade, de “expressionismo” – por meio do cinema, ou melhor, da arte. Já me explico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como algumas outras obras do autor, Meia Noite em Paris, de Woody Allen, carrega uma quantidade considerável de metalingüística. Aqui a discussão é o diálogo traçado entre fantasia e realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra variar, Allen não faz a mínima questão de disfarçar seu alter ego no protagonista do novo filme, e é aí que ele se entrega. A metalingüística reside justamente no fato de o personagem principal gostar de escrever – assim como o diretor gosta de dirigir. Pode ser que a questão da fuga da realidade não vigore tanto aí, mas sim naquela problemática de retornar ao passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A distância a que se encontra o passado, a abstração de que se faz, a surrealidade que o tange fizeram-no aparentemente melhor, ilusoriamente melhor. Na verdade, o passado tornou-se abstrato ao longo dos anos, e as memórias foram sendo sacralizadas, pois é como se crescessem na mente. Por isso o passado sempre é melhor, o futuro sempre é melhor, mas o próprio tempo – o presente – nunca é bom o suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rachadura na realidade que Gil Penders tanto busca também poderia facilmente ser Paris – aliás, é. Não coincidentemente, a cidade escolhida como palco do longa carrega em sua essência a arte, e ainda mais do que isso – carrega o passado. Também não por acaso, uma das personalidades mais louvadas na história é Hemingway, que caracteriza a cidade-luz como um “moveable feast”, ou seja, um banquete, uma festa non-stop em todo lugar, a todo momento. Tradução: Paris é aquilo que serve pra fugir da realidade, mas é a fuga constante, é a fuga infinita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indo ainda mais além, o modo como as cenas são filmadas, a fotografia encharcada da arquitetura clássica, de romantismo, de arte, de passado, podem indicar Paris como uma espécie de musa – tanto para Gil quanto para Woody. Não é à toa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse retrato tenta atentar para a ilusão tão comum de que as pessoas seriam mais felizes diante de uma realidade que não a delas. Exemplo: Gil e Inez não parecem ver que eles nunca deixarão de criar discórdias, mas parecem pensar que o casamento mudará tudo. Exemplo: Gil quer viver na Paris dos anos 20. Exemplo: Adrianna, que vive a bohemia dos anos 20, quer viver na Bélle Époque. Exemplo: os artistas da Belle Époque querem viver na Renascença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo, que seria a escapatória mais confortante, é, no entanto, a mais intangível, então a opção é apelar também para linhas de escape espaciais ou mesmo expressivas. A arte, então, está presente invariavelmente na história, pois a nostalgia que dá em nós quando vemos como era o mundo, como era a vida naquela época acontece justamente por causa dos nomes fundamentalmente artísticos que aparecem. Até mesmo no presente ela é um fator importante, pois percebemos que o mais entendido de música, pintura, de vinhos, de literatura, da arte, é alguém extremamente desagradável – enquanto os entendidos de outrora são louvados, incríveis, maravilhosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse diálogo entre fantasia/realidade e arte, não obstante, o tempo é o principal mediador. Como eu disse antes, ele é, afinal, a principal escapatória para aquele que deseja viver outra realidade, mesmo que inconscientemente. Na história, ele se alia às outras formas de fuga – a escrita, o cinema (metalinguisticamente falando), a música, a arte em geral, e até mesmo a chuva. No final, conclui-se que sempre desejaremos afastar nossa realidade e nos aproximarmos de outra aparentemente mais profunda, mais significativa, não importa qual seja. Trata-se talvez de um questionamento, ou até arrisco dizer uma crítica à futilidade e ao vazio dessa edificação da arte, da cultura, do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À parte o fato de a crítica – se é que isso foi mesmo uma crítica – ser um pouco clichê, o modo de fazê-la foi extremamente imprevisível. Foi bom ver aquela abertura com imagens estáticas da cidade assim como em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Manhattan&lt;/span&gt;. Foi bom ver o bom e velho ceticismo amoroso fatal de Allen disfarçado de comédia non sense, assim como em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Annie Hall&lt;/span&gt;. Foi bom ver a forte alusão à &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Rosa Púrpura do Cair&lt;/span&gt;o, em que a arte – mais especificamente o cinema, nesse caso – representa a fuga mais eficiente para o protagonista, para o diretor e para seu alter ego – que também leva o nome de Gil. Foi bom ver Woody de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois as pessoas ainda têm coragem de me perguntar por que eu gostei tanto desse filme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2265749912948014423-5110826544541630892?l=barbaridadesirrefletidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/feeds/5110826544541630892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/08/paris-arte-e-o-tempo-fuga-infinita.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/5110826544541630892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/5110826544541630892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/08/paris-arte-e-o-tempo-fuga-infinita.html' title='Paris, arte e o tempo: fuga infinita'/><author><name>Lana Ruff</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17369907421370811421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://1.bp.blogspot.com/-NsVUAVDTZiU/TglFWYYAjTI/AAAAAAAAACI/DnLFv0dnSIo/s220/DSC04530c.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2265749912948014423.post-3447306533032688483</id><published>2011-06-27T17:57:00.000-07:00</published><updated>2011-11-14T18:42:33.922-08:00</updated><title type='text'>Só o Mackenzie não é open bar de jogos</title><content type='html'>Aqui vai uma mensagem à AAA Comunicação Mackenzie, às atletas do time feminino do Handebol Tubarão e aos interessados. Deixo claro que este texto, particularmente, não se trata de um apelo, um pedido, uma crítica construtiva e muito menos uma tentativa de mudar uma situação atualmente disfuncional. Trata-se apenas de um desabafo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogar faz parte. Aprender a perder, aprender a vencer é uma arte. O que não se ensina e muito menos se aprende é como perder a oportunidade de jogar. É só quando nos é tirado o direito de competir que entendemos o quão real faz-se o clichê “o importante é competir”. Muito mais real do que se imagina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claramente a vontade necessária para agüentar por livre e espontânea vontade meses e meses e meses de treinos incessantes e esgotantes vem de um ideal, de um objetivo, de uma vontade comum de um time inteiro. Essa meta, vigorosa invariavelmente em cada momento, em cada defesa, em cada arremesso, em cada passo, não deixa de ser a vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, não vale de nada a vitória se ela nos é dada gratuitamente, e é por isso que competir é o mais importante, é a parte mais passional. A busca por essa vitória acontece desde as reuniões compenetradas nos vestiários, passando pelos treinos efusivos em quadra, até o momento em que o time se reúne para tomar no bar a cerveja descontraída. A reta final desse caminho é o que foi sacralizado e abstraído em todo esse tempo, é aquilo para que se lutou, é a partida. É o jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais doloroso do que perdê-lo é vê-lo passar à frente de seus olhos sem que você esteja lá. É sentir cada batucada da torcida como um baque no coração por não estar jogando. É lamentar não estar sendo xingado pela torcida adversária. É perceber que não apenas a vitória poderia ter sido sua, mas a partida, o jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, quero deixar aqui registrado em poucas – talvez insignificantes – palavras uma pequena parcela da dor que sentiu um time que passou por tudo isso, que buscou tudo isso e teve tudo isso tirado de suas mãos. Um time que nem com choro, gritos e apelos teve tudo isso de volta – e nem terá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus sentimentos pelos meus amigos, melhor, minha família, que não pode mostrar em quadra o resultado de um trabalho inexplicavelmente cansativo e duradouro, que não pode erguer um troféu, e mais importante, não pode sentir a vibração de estar em quadra representando tudo o que foi mantido como fundamental para o nosso time.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus sentimentos também aos envolvidos e responsáveis por isso, que acredito não terem feito de propósito, mas por displicência – e atrevo-me a dizer incompetência. Vocês não tiraram uma medalha das mãos de algumas meninas, mas tiraram um sonho da mão de uma equipe apaixonada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2265749912948014423-3447306533032688483?l=barbaridadesirrefletidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/feeds/3447306533032688483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/06/so-o-mackenzie-nao-e-open-bar-de-jogos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/3447306533032688483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/3447306533032688483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/06/so-o-mackenzie-nao-e-open-bar-de-jogos.html' title='Só o Mackenzie não é open bar de jogos'/><author><name>Lana Ruff</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17369907421370811421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://1.bp.blogspot.com/-NsVUAVDTZiU/TglFWYYAjTI/AAAAAAAAACI/DnLFv0dnSIo/s220/DSC04530c.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2265749912948014423.post-6843092489946805078</id><published>2011-05-25T01:13:00.000-07:00</published><updated>2011-11-14T18:43:11.176-08:00</updated><title type='text'>Palocci: um desaforo à Constituição Brasileira</title><content type='html'>O nome Antonio Palocci pode ser lembrado por muitos como o ministro da Fazenda do governo Lula, mas para outros remete a alguém que participou anteriormente de diversos casos de corrupção de amplitude nacional. Em 2005, um dos maiores escândalos políticos tomou forma com o nome de Mensalão, e Palocci era invariavelmente citado em toda e qualquer denúncia feita aos acusados de propina, caixa dois, fraude de licitação, quebra de sigilo e outras peripécias dos integrantes do mundo da política brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 13 de maio de 2011, a Folha de S. Paulo divulga em primeira mão uma notícia que envolve mais uma vez o atual ministro da Casa Civil. A reportagem revelava que a empresa de consultoria do ministro faturou R$20 milhões em 2010, quando ele era deputado federal e atuava como coordenador da campanha da candidata à presidência da República, Dilma Rousseff.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 15 de maio, foi constatado mais uma vez pelo mesmo veículo que o patrimônio do ex-deputado havia se multiplicado milagrosamente por 20 nos últimos quatro anos. Muito peculiarmente, semanas antes de Palocci assumir o comando da Casa Civil do governo Dilma, o ministro comprou uma casa no valor de R$6,6 milhões e, um ano antes, adquiriu um escritório em São Paulo por mais de R$800 mil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2006, quando Palocci era candidato a deputado federal, ele declarou à Justiça um patrimônio em torno de R$375 mil, já levando em conta taxas de inflação. Vale ressaltar que eram de seus pertences uma casa, um terreno e três carros. No mínimo.&lt;br /&gt;A empresa envolvida nas informações “vazadas” no mais novo caso em que está presente o nome do ministro chama-se Projeto. Ela foi aberta coincidentemente duas semanas depois que o prazo para a entrega da declaração de bens à Justiça Eleitoral terminasse em 2006. Assim, por sorte, não foi preciso declará-la na relação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível seguir em frente pontuando escândalos em que o político já esteve envolvido, mas quero atentar agora para a nova ‘reclamação’ por parte da bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara Municipal de São Paulo.&lt;br /&gt; Uma nota divulgada pela assessoria do ministro sustenta que é perfeitamente plausível que uma empresa de consultoria tenha seu faturamento multiplicado, já que o volume de contratos cresce naturalmente ano a ano e as ‘negociações’ envolvidas geram lucros cada vez maiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparentemente, no entanto, o pobre Palocci sofreu irregularidades do ponto de vista ético e jurídico, uma vez que, de uma forma ou de outra, algum sigilo foi quebrado para que os dados recentemente divulgados pela Folha viessem à tona.&lt;br /&gt; O vereador José Américo, do PT, protocolou então um requerimento na Câmara Municipal para que a Prefeitura de São Paulo informe quem são os funcionários da administração municipal que possuem acesso ao sistema do Imposto Sobre Serviço. O que acontece é que houve uma quebra de sigilo e dados do ISS de Palocci foram divulgados sem que o pudessem – ou devessem – ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora quem está sob as lentes da imprensa é a Secretaria de Finanças, que deve prestar contas pelo terrível ato de desrespeito ao nosso ministro da Casa Civil. Afinal, Palocci faz parte da administração pública apenas em âmbitos inexpressivos, e sua arrecadação não faz diferença aos olhos de um povo que paga impostos diminutos. Dessa forma, conforme pensam seus colegas na bancada do PT, é, no mínimo, injusto que sejam divulgadas abertamente questões do Estado. E é por isso que eles vão reclamar lá no Supremo Tribunal Federal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como disse o próprio Américo, as exigências são poucas: 1) a informação de quais servidores têm acesso às senhas e à informação sigilosa da Secretaria de Finanças; 2) quais empresas tiveram seus sigilos acessados nos últimos meses através do CNPJ; 3) se o secretário Mauro Ricardo da Costa possui acesso irrestrito aos dados da pasta e, se ele tiver, quais empresas tiveram seu “sigilo” rompido por ele nos últimos seis meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempos de escândalos de corrupção política de âmbito nacional que dão ao nosso Brasil o desgosto de ser considerado internacionalmente um dos países mais corruptos do mundo, temáticas como a de Palocci permanecem em stand-by até que um assunto novo apareça e ofusque questões anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode parecer batido hoje dizer que a justiça brasileira não faz jus à denominação que tem, mas essa ideia não surgiu do nada. É inconcebível que, num país onde teoricamente vigora a livre democracia, questões de interesse público sejam mantidas em segredo em pró de um dito “direito inalienável”. Só é preciso lembrar que esse direito nunca pertenceu a integrantes da administração pública; muito pelo contrário, é de seu dever prestar contas à população que neles votou, e do direito dessa população saber por onde passa e de onde vem cada centavo de seu patrimônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde está aquilo que obriga a difusão de todos e quaisquer atos administrativos em âmbitos municipais, estaduais e federais? Onde está o Princípio da Publicidade, lapidado em nossa constituição?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2265749912948014423-6843092489946805078?l=barbaridadesirrefletidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/feeds/6843092489946805078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/05/palocci-um-desaforo-constituicao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/6843092489946805078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/6843092489946805078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/05/palocci-um-desaforo-constituicao.html' title='Palocci: um desaforo à Constituição Brasileira'/><author><name>Lana Ruff</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17369907421370811421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://1.bp.blogspot.com/-NsVUAVDTZiU/TglFWYYAjTI/AAAAAAAAACI/DnLFv0dnSIo/s220/DSC04530c.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2265749912948014423.post-1506633765728529024</id><published>2011-05-16T10:50:00.000-07:00</published><updated>2011-11-14T18:43:49.459-08:00</updated><title type='text'>Um pode ser mais que cem</title><content type='html'>Mutantes, a banda mais superestimada da história&lt;br /&gt;http://blogs.estadao.com.br/combate_rock/mutantes-a-banda-mais-superestimada-da-historia/#comment-3059&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma réplica ao artigo de Marcelo Moreira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Opinião é difícil de manter mesmo, principalmente quando vai contra a da maioria. O que é mais difícil ainda é tê-la sem conseguir prover bons argumentos que a justifiquem – e querer divulgá-la num veículo com a repercussão que o Estadão tem.&lt;br /&gt;E a polêmica é boa, há alguns comentários bons e pertinentes, mas a “desqualificação”, Marcelo, começou em sua coluna, quando você mesmo disse que os músicos da banda eram medíocres, desinteressantes e superestimados.&lt;br /&gt;A máxima "Um é pouco, mas é mais que zero" nem começa a justificar a fama e o reconhecimento que os Mutantes têm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como você escreveu, o momento em que os Mutantes surgiram foi extremamente delicado histórica e culturalmente falando, e a música deles abriu um número incontável de portas em âmbitos que até hoje ninguém imagina (não só os Mutantes, mas também o Caetano, o Gil, o Tom Zé e os outros que fizeram parte da Tropicália).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vir falar que os festivais eram ‘concursinhos de cartas marcadas’ é algo de alguém que nunca parou pra pensar na importância que teve Caetano Veloso cantando “É proibido proibir” repetidas vezes no TUCA em plena ditadura militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E “INTRAGÁVEL Tropicália”? Isso é ignorar – pior, desrespeitar – uma das melhores coisas que a nossa cultura tem, junto com a bossa nova, a própria MPB (termo que surgiu nessa época dos festivais) e etc. Você, como um reconhecedor e avaliador “dos bons”, como você mesmo disse, da cultura e da intelectualidade, não podia levar isso em conta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar que não havia interesse pela volta da banda e que a Zélia Duncan se juntar a eles no lugar da Rita foi um mico foi além – de fato, Marcelo, o interesse era tão pouco e o mico era tão grande que os caras lotaram o show que fizeram em Londres, lotaram o show no Museu do Ipiranga e todas as outras poucas apresentações que fizeram (como você mesmo conta).&lt;br /&gt;“No entanto, nunca passaram de uma banda de rock medíocre, com músicos e compositores no máximo medianos.&lt;br /&gt;Nunca foram referência nem mesmo para a geração do rock brasileiro dos ano 80.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo amor de deus, divulgar seu gosto pessoal como sendo verdade pura e absoluta é coisa séria, mesmo em se tratando de questão cultural e originalmente sem grande importância política – ainda mais num veículo como o Estadão... Depois dessa frase, recomendo seriamente um tempo internado numa escola de música, numa biblioteca com algumas referências à história da cultura brasileira ou mesmo num manicômio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E falando em manicômio, Arnaldo Baptista é louco, de fato. Mas se o louco é aquele que não é o normal (como ele próprio diz na “Balada do Louco”), é porque ele – assim como o resto dos Mutantes – está/estava muito à frente da sociedade, como sustentam alguns críticos e “avaliadores da cultura e da intelectualidade” – os bons, ao menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Rita Lee defenestrada? Parabéns, depois de décadas sem ninguém no país saber exatamente o que aconteceu, você, o melhor dos avaliadores da intelectualidade de todos os tempos adivinhou e decidiu que ela foi “defenestrada” porque “era boa demais para o resto da banda”. Faz-me rir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você assistiu ao filme Loki, de Paulo Fontenelle, Marcelo? Aquela carga cultural toda da banda, essa bagagem que ela deixou para músicos aqui no Brasil e no resto do mundo ao longo dos anos e até hoje foi meramente por acaso? Foi sorte e não teve nada a ver com talento, criatividade, vanguarda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E gosto é gosto. Duvidoso por duvidoso, o seu é muito mais”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com base em que isso, Sr. Moreira? Por que o dos outros é mais duvidoso? Porque o sr. teve espaço no site do Estadão pra disseminar sua opinião pessoal mascarada de verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quanta generalização! Qual a relação de Mutantes com Cláudia Leitte, Nx Zero e mesmo o Marcelo Camelo? Típica falta de argumento. Chega uma hora em que é preciso apelar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2265749912948014423-1506633765728529024?l=barbaridadesirrefletidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/feeds/1506633765728529024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/05/um-pode-ser-mais-quem-cem.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/1506633765728529024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/1506633765728529024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/05/um-pode-ser-mais-quem-cem.html' title='Um pode ser mais que cem'/><author><name>Lana Ruff</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17369907421370811421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://1.bp.blogspot.com/-NsVUAVDTZiU/TglFWYYAjTI/AAAAAAAAACI/DnLFv0dnSIo/s220/DSC04530c.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2265749912948014423.post-7079593381130664122</id><published>2011-04-19T21:32:00.000-07:00</published><updated>2011-11-14T18:44:14.028-08:00</updated><title type='text'>Cópia autêntica</title><content type='html'>Não foi o melhor texto que eu fiz na vida, mas é o suficiente pra manter isso aqui relativamente atualizado.&lt;br /&gt;Esse texto foi feito para a faculdade e o intuito era ter um caráter informativo. Não podia usar adjetivação e nem manter parcialidade. Esse foi o máximo que eu consegui fazer tentando seguir esses padrões sem ser sem graça:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cópia autêntica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos mais consagrados diretores iranianos lança seu primeiro longa filmado fora de seu país natal. Abbas Kiarostami, diretor de Gosto de Cereja, vencedor da Palma de Ouro em 1997, e de O Vento nos Levará, que levou prêmio especial no júri do Festival de Veneza de 1999, escolheu a Itália como palco de seu novo filme, Cópia Fiel (Copie Conforme).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na nova obra de Kiarostami, cujo cenário são as ruelas de um vilarejo próximo à Toscana chamado Lucignano, James Miller, interpretado por William Shimell, é um escritor e teórico de arte. O que ele aborda em seu livro é justamente o tema da história contada: a relação entre cópia e original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A protagonista é Elle (Juliette Binoche), uma francesa cujo filho sagaz a tira do sério algumas vezes durante o dia retratado. Ela vai à cerimônia de lançamento do livro de Miller na Toscana e, após deixar com ele seu número de telefone, Elle consegue um encontro para discutir conceitos de verdadeiro, falso, de autenticidade, originalidade e identidade. Sugere a ida a uma cidadela próxima para mostrar ao autor uma “cópia autêntica” da Monalisa e, em meio aos diálogos, ambos passam a encenar – ou reviver – um matrimônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;James atesta sua opinião à importância da cópia enquanto condutora do espectador ao autêntico, ao original – conceito que ele próprio questiona por se perguntar se nem tudo já foi inventado e se não há agora apenas possibilidades de recriações – e estende essa reflexão ao campo das relações humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, a relação entre o casal de amigos, conhecidos, desconhecidos ou divorciados e a exploração da feminilidade e da temporalidade pelo diretor deixam no ar uma dúvida quanto ao fato de os dois terem sido, verdadeiramente, algum dia, um casal, ou de estarem apenas fingindo um para o outro quase o filme inteiro. Quiçá uma possível encenação dos dois pudesse representar a perfeita cópia de tantos matrimônios, ou então sua história única talvez aludisse à originalidade e à identidade de cada um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, a dúvida permanece no ar. Mas não é nem esse o ponto. Considerando o tema essencial do filme, que é a importância que tem o olhar sobre uma obra de arte para atribuir-lhe um significado e um entendimento, não é possível encontrar uma resposta certa, verdadeira. Ou uma resposta autêntica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2265749912948014423-7079593381130664122?l=barbaridadesirrefletidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/feeds/7079593381130664122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/04/copia-autentica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/7079593381130664122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/7079593381130664122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/04/copia-autentica.html' title='Cópia autêntica'/><author><name>Lana Ruff</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17369907421370811421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://1.bp.blogspot.com/-NsVUAVDTZiU/TglFWYYAjTI/AAAAAAAAACI/DnLFv0dnSIo/s220/DSC04530c.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2265749912948014423.post-8491968331547667376</id><published>2011-04-10T12:32:00.000-07:00</published><updated>2011-04-14T22:31:57.013-07:00</updated><title type='text'>Último dia em Paris</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-uiDiNOKsbMY/TaIJwY5WXDI/AAAAAAAAABQ/QuT6VVTjN60/s1600/191284_198883096810756_100000672011635_576143_2380504_o.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 210px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-uiDiNOKsbMY/TaIJwY5WXDI/AAAAAAAAABQ/QuT6VVTjN60/s400/191284_198883096810756_100000672011635_576143_2380504_o.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5594044414068939826" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Et puis, quelque chose est arrivé, quelque chose difficile de décrire. Assise là et être seule dans un pays étrangé, loin de mon travail et de tous les gens que je connais, un sentiment est venu a moi. C'était comme si je me souvenais de quelquechose que je n'ai jamais connu ou que j'avais attendu toujours. Mais je n'ai savais pas quoi. Peut-être c'était quelque chose que j'avais oublié ou quelque chose qui me manquais toute ma vie. Seulement je peux vous dire que j'ai senti au même temps la joie et la tristesse. Mais pas trop tristesse. Parce que je me sentais vivante. Oui, vivante. Ça c'était le moment où j'ai commencé à aimer Paris et le moment où j'ai senti que Paris m'aimais aussi."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2265749912948014423-8491968331547667376?l=barbaridadesirrefletidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/feeds/8491968331547667376/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/04/ultimo-dia-em-paris.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/8491968331547667376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/8491968331547667376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/04/ultimo-dia-em-paris.html' title='Último dia em Paris'/><author><name>Lana Ruff</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17369907421370811421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://1.bp.blogspot.com/-NsVUAVDTZiU/TglFWYYAjTI/AAAAAAAAACI/DnLFv0dnSIo/s220/DSC04530c.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-uiDiNOKsbMY/TaIJwY5WXDI/AAAAAAAAABQ/QuT6VVTjN60/s72-c/191284_198883096810756_100000672011635_576143_2380504_o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2265749912948014423.post-136698013753780331</id><published>2011-03-15T11:05:00.001-07:00</published><updated>2011-11-14T18:44:41.818-08:00</updated><title type='text'>Coincidência</title><content type='html'>Saía do trem em King’s Cross e lutava com suas duas malas de viagem para subir as escadas até a plataforma do metrô. Oito horas de viagem amassaram suas roupas, despentearam seus cabelos e apagaram a maquiagem que cobria as olheiras da viajante de jeans e tênis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se sabe, o metrô de Londres é o único no mundo que não faz barulho, e o povo, assim como o trem local, é um tanto contido no que se refere às palavras. O ocasional robótico “MIND THE GAP” ou “THANK YOU FOR RIDING LONDON UNDERGROUND” eram quase os únicos ruídos que poluíam o ar naquele momento. Via todos normalmente aconchegados em suas discretas peculiaridades particulares, exceto por um homem. Peculiar, particular, mas não discreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito alto, o homem branco usava sapatos pretos, calças pretas, um pulôver preto, sobretudo preto, luvas pretas. O chapéu – preto – levava um logotipo prateado atrás e a gravata era vermelha com pequenas bolas brancas. O homem branco do chapéu preto e gravata vermelha, que aparentava 50 ou 60 anos, assobiava imponente, mas tranquilamente uma melodia com ares bucólicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela desceu em Oxford Circus e ele, logo atrás. Brigava ainda com a bagagem e sua poderosa aliada - a escada - para chegar enfim às portas da estação e, depois delas, à inconfundível cinzenta atmosfera londrina. Acendeu um cigarro enquanto recuperava energias para retomar sua batalha com as malas. A fumaça que soltava confundia-se com a respiração gelada que saía de sua ofegação. Seus dentes doíam ao inspirar o frio do ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vindo de trás, ouviu num inglês reconhecidamente britânico: “É difícil viajar às vezes, não?”. Respondeu educadamente: “Às vezes... sim.”. E em meio a um aceno: “Te vejo por aí.”, despediu-se o homem do chapéu. Um sentimento de boas vindas, misturado à sensação de estranhice e à vontade de rir na cara do ocorrido, abriu um sorriso em seu rosto antes que ela tragasse mais uma vez o cigarro bolado de tabaco inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma soneca, um banho e uma pizza mais tarde, saiu às ruas a viajante para desfrutar a esfumaçada noite da cidade cinza. O álcool rendeu-lhe algumas amizades e surtiu-lhe a disposição de vagar de pub em pub durante horas. Foi em um qualquer às margens do Tâmisa, após uma caminhada regada a gargalhadas e imprudências pelo St. James Park, que ela pediu a tradicional Guinness e sentou-se para admirar uma vez mais as corriqueiras estranhices individuais daquele povo. Em meio à muvuca, o dernière de um chapéu-coco preto, ornado com um símbolo metálico, acenava para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ria ao contar sobre o ser conhecido às recentes amizades embriagadas, mas embriagada ficou ela quando o homem do chapéu-coco veio dirigir-lhe a palavra. “Do que você está rindo?” foi a pergunta encharcada daquele sotaque inesquecível. “Nos conhecemos esta tarde.” foi a resposta que abriu o sorriso mais cinematográfico no rosto daquele ente tão peculiar. “É verdade. Você passou de uma hippie para uma lady.”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maquiagem cobria novamente as olheiras da mesma jovem, que agora tinha cabelos penteados e usava saia, blusa de babados e um sapato de boneca. Essa lady veio a descobrir duas horas de conversa depois que o homem do chapéu-coco era na realidade pintor, poeta e escultor, freqüentador assíduo da Westminster Abbey e falava seis idiomas com a fluência de uma perfeição ímpar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Cheguei em casa hoje à tarde e escrevi em meu diário ‘Conheci uma hippie no metrô. Disse-lhe que nos veríamos em breve. Foi poético.’”. O senhor de 50 ou 60 anos não esboçava nenhuma intenção com a jovem viajante, a não ser a de explorar a poesia daquela armadilha daquilo que chamam acaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que linda é a casualidade.”, recitou. “Desculpe-me, mas não acredito em casualidades.”, repliquei. Agora o sorriso cinematográfico que se abriria era em meus lábios: “Não, querida, você me entendeu errado. Casualidades de fato não existem; o que é lindo é a causalidade.”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2265749912948014423-136698013753780331?l=barbaridadesirrefletidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/feeds/136698013753780331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/03/coincidencia.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/136698013753780331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/136698013753780331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/03/coincidencia.html' title='Coincidência'/><author><name>Lana Ruff</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17369907421370811421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://1.bp.blogspot.com/-NsVUAVDTZiU/TglFWYYAjTI/AAAAAAAAACI/DnLFv0dnSIo/s220/DSC04530c.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2265749912948014423.post-166192918469638982</id><published>2011-03-14T21:43:00.000-07:00</published><updated>2011-03-16T13:23:26.457-07:00</updated><title type='text'>Nostalgia</title><content type='html'>Sente. 'Stá aí.&lt;br /&gt;Seja, ouça sair. Saia e ouça soar.&lt;br /&gt;Saia da cena, sai da sena!&lt;br /&gt;Sente o samba, ouça soar.&lt;br /&gt;Essa cidade, mesmo céu.&lt;br /&gt;Sensação de segundo, sensação de sem tempo.&lt;br /&gt;Sem tempo, sem ver. Sem tempo, sem céu. Sem ver.&lt;br /&gt;Sensação de cegueira, cegado de lágrimas.&lt;br /&gt;Eu sei. Sem senso sumir, mas sei.&lt;br /&gt;Mas sente o que eu sinto, 'stou aí.&lt;br /&gt;Saia da cena, sai da sena!&lt;br /&gt;Ouça soar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inverno vira primavera.&lt;br /&gt;Verão, outono.&lt;br /&gt;Vai, voa, volta, vê. Vive.&lt;br /&gt;Revê, faça haver.&lt;br /&gt;Dessa vez,&lt;br /&gt;outono foi verão e&lt;br /&gt;primavera foi inverno.&lt;br /&gt;Faça haver, voa.&lt;br /&gt;Revê:&lt;br /&gt;terno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai pra ver, voa pra sair.&lt;br /&gt;Voa pra sumir.&lt;br /&gt;Vai ser, suma pra voar.&lt;br /&gt;Suma pra vibrar.&lt;br /&gt;Sente pra virar, vire pra saber.&lt;br /&gt;Saia para haver.&lt;br /&gt;Vai para viver,&lt;br /&gt;vai para rever&lt;br /&gt;a sua primavera.&lt;br /&gt;Volte para ver&lt;br /&gt;o outono eterno.&lt;br /&gt;Ouve, ouça.&lt;br /&gt;Seu inverno&lt;br /&gt;será,&lt;br /&gt;verá:&lt;br /&gt;e    terno&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2265749912948014423-166192918469638982?l=barbaridadesirrefletidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/feeds/166192918469638982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/03/sem-ver-sem-ser-vem-ver-vem-ser.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/166192918469638982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/166192918469638982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2011/03/sem-ver-sem-ser-vem-ver-vem-ser.html' title='Nostalgia'/><author><name>Lana Ruff</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17369907421370811421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://1.bp.blogspot.com/-NsVUAVDTZiU/TglFWYYAjTI/AAAAAAAAACI/DnLFv0dnSIo/s220/DSC04530c.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2265749912948014423.post-6816153310128025027</id><published>2010-11-30T20:48:00.000-08:00</published><updated>2011-11-14T18:45:30.353-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Film Socialisme'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Godard'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Merten'/><title type='text'>Film Socialisme, uma crítica e o inconformismo de Godard</title><content type='html'>Tive que fazer para a faculdade um texto que contra-argumentasse com um artigo qualquer. Depois de muito procurar e, por fim, desistir de encontrar, deparei-me com uma crítica do mais novo filme de Godard que estava suplicando por uma réplica.&lt;br /&gt;Segue o link do site onde achei a matéria e, logo abaixo, minha opinião a respeito dela e, principalmente, do filme.&lt;br /&gt;Vale ressaltar que o texto foi feito para uma disciplina chamada Lógica e Argumentação, portanto, o intuito era defender minha posição com unhas e dentes.&lt;br /&gt;Aí vai:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crítica de Luiz Carlos Merten: http://spoilermovies.com/2010/10/31/film-socialisme/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Film Socialisme, uma crítica e o inconformismo de Godard&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jean-Luc Godard surpreendeu ao aparecer em 2010, aos seus 80 anos, com um novo longa-metragem: Film Socialisme. No entanto, após ver o filme, surpreendeu-me mais ainda a crítica feita por Luiz Carlos Merten a respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O crítico inicia seu texto afirmando que a obra foi um presente de grego, pois apresenta nada mais que “fragmentos de imagens recebidos com (...) algumas interjeições de absurdo: ‘N’importe quoi’”. Percebe-se aí que Merten não viu significado algum no ‘N’importe quoi’ de Godard e que o termo estava presente no filme apenas porque o diretor não tinha nada mais interessante a acrescentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagens, legendas e áudios, ao contrário do que o jornalista afirma, são fragmentados propositalmente para possibilitar a narração da história do mundo em 101 minutos. Os elementos não são, como apontado por ele, “colados aleatoriamente”, mas sim intrinsecamente conectados através de signos da história da cultura, do imaginário e do próprio cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Merten, a obra provocou nada mais que um “tumulto” de que Godard costuma gostar. Afirmar isso equivale a minimizar toda uma intenção de difundir uma ideologia embasada em décadas de apreensão sócio-política e produção artística a um “gostar de tumulto”, apenas porque Godard deve adorar uma provocação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele afirma ser o diretor “muito aquém do esperado de sua própria capacidade”. Porém, aquém está a capacidade do crítico de perceber que as imagens simbólicas utilizadas não fazem parte de um quebra-cabeça desmontado como se não tivessem sentido, mas sim de um conjunto de múltiplas camadas com sentidos diversos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A referência ao Filme Falado, de Manoel de Oliveira, como ressalta o crítico, está no primeiro cenário escolhido e no destaque ao eurocentrismo. No entanto, o eurocentrismo em Film Socialisme dá-se justamente a partir do questionamento desse mesmo conceito, assim como feito pelo diretor português, e não de fato em sua exaltação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este cenário – um cruzeiro marítimo – nada mais faz do que simbolizar a perfeita pendência no tempo e espaço para possibilitar a narração da história do mundo com o mínimo possível de influências externas. Na segunda parte do filme, onde filho e filha questionam noções de liberdade, igualdade e fraternidade, está mais que evidenciada a alusão à Revolução Francesa. Já a viagem aos seis lugares míticos escolhidos por Godard é o seu passeio iconográfico pela Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme afirma Merten, a mais nova obra godardiana conta com personagens sem rumo. O que o jornalista não conseguiu enxergar foi que o rumo está, sim, presente na história, porém, não evidenciado como na linearidade enfadonha da narrativa hollywoodiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o crítico, também extremamente chato é o inconformismo apresentado. No entanto, o manifesto proposto pelo diretor, ainda que calado de certo ponto de vista, é, ao mesmo tempo, sério. E é justamente a sua monotonia que exalta a forma inovadora que o artista utiliza para destacar esse tal inconformismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda segundo ele, a cultura exposta por Jean-Luc Godard é de fachada. É difícil aceitar a ideia de que meio século permeado de produções incessantes de obras primas e de representações sociais não tenha provido ao diretor vanguardista credibilidade suficiente para que “a cultura que ele expõe” não fosse julgada uma mera “fachada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Merten destaca ainda que o longa não dispõe de uma trama evidente, mas o crítico careceu de visão para perceber que a história das revoluções, da Europa, do mundo, é a própria trama. Segundo ele, o filme não tem história. De fato, não tem. O filme é a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é possível fazer uma sinopse porque, de fato, os cacos imagéticos e sonoros não fazem sentido se analisados à parte e separadamente, visto que o diretor não visa a uma lógica fragmentária. Sua postura política deixa claro que, ao pedir que o espectador visualize a obra como um todo, e não cena por cena, Godard roga para que ele enxergue a história do mundo e reflita sobre o sistema que nos governa hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Merten, ao fim de seu texto, atribui a Godard o dever de “despertar paixões pelo cinema”. É possível afirmar com vigor que, se a obra Film Socialisme não excitar, de fato, uma paixão pelo cinema, despertará, no mínimo, senso crítico da sociedade contemporânea, além de deixar no ar o desafio de reflexão acerca do sistema capitalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desejo do francês de firmar o cinema como mídia importante na difusão de conceitos, ideias e princípios da arte moderna, o desejo dele de ultrapassar a si mesmo e seu tempo com a invenção e a inovação, o desejo de proporcionar material artístico com relevância sócio-política, transformaram Jean-Luc Godard na grife que é hoje. É aí que se dá a principal e mais triste contradição do ponto de vista godardiano, que admite – com um pesado inconformismo – a perspectiva de que ele próprio e tudo o que diz respeito ao cinema como instituição maior estão submetidos aos dogmas do capitalismo que ele tanto abomina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2265749912948014423-6816153310128025027?l=barbaridadesirrefletidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/feeds/6816153310128025027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2010/11/film-socialisme-uma-critica-e-o.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/6816153310128025027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/6816153310128025027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2010/11/film-socialisme-uma-critica-e-o.html' title='Film Socialisme, uma crítica e o inconformismo de Godard'/><author><name>Lana Ruff</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17369907421370811421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://1.bp.blogspot.com/-NsVUAVDTZiU/TglFWYYAjTI/AAAAAAAAACI/DnLFv0dnSIo/s220/DSC04530c.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2265749912948014423.post-8209191214339940840</id><published>2010-09-24T06:47:00.000-07:00</published><updated>2011-11-14T18:46:03.325-08:00</updated><title type='text'>Foi o mundo então que cresceu?</title><content type='html'>Eu escrevi esse texto já faz um tempo, foi quando o Saramago morreu. Mas achava que estava faltando alguma coisa e não publiquei. Dei uma ornada agora e... aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava rolando no twitter a frase: “A literatura nunca esteve tão morta. De um lado morre Saramago, de outro Geisy Arruda lança um livro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A literatura já está em fase terminal já faz algum tempo, na verdade. Que fique bem claro, sou contra qualquer tipo de generalização, mas eu concordo: nunca foi tão difícil encontrar algo que se salve em meio a tanta porcaria.&lt;br /&gt;O conceito da arte pela arte foi diluído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já diria Schopenhauer que a arte – no caso, ele fala especificamente da ciência (em &lt;em&gt;‘A Arte de Escrever’&lt;/em&gt;, livrinho minúsculo que recomendo) - deve ser produzida não como um meio, mas como um fim. Tudo o que fosse feito visando a algo além do puro prazer de fazer a arte ou produzir o saber podia ser jogado junto a cascas de banana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizia isso, creio eu, porque ninguém apreciava suas obras, então aproveitava pra meter o pau em quem conseguia ganhar dinheiro com o que escrevia. Inclusive, apostou que só iam gostar dele depois de morto. Acertou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tinha algum fundamento no que ele dizia. O espírito capitalista e a indústria cultural (rótulos como frankfurtiana, marxista ou qualquer coisa do tipo, não, por favor) massificaram e, de certa forma, banalizaram todo e qualquer tipo de produção artística. Quer dizer. O que é arte agora é produto, e apenas é arte em função do preço que tem. Repito: o conceito da arte pela arte foi diluído. Ela não é feita por ser feita, mas para ser recompensada. Chico disse (mesmo que diga que não lembre) que, ou a gente estancou, ou o mundo cresceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao meu humilde ver, o principal agente disso foi, sim, o mundo, e acho que, longe de estagnar, a gente cresceu com ele. Ou não... depende do significado que cada um atribui a “crescer”. E a “evoluir”. Apoio as teorias naturalistas nesse ponto – já que estamos falando de literatura. Acho que o homem é feito das influências do meio e tudo mais. Mas o meio é também uma influência do homem. O meio cresceu, mas só porque o homem cresceu antes. E o homem cresceu, na verdade, espelhado nos outros homens? Que constituem o meio? Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha? Entendeu por que ‘Roda Viva’? Mas aí é uma viagem muito grande, deixa quieto ou pra outro post. Fugi muito, voltando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As prioridades mudam. Desencana de conhecer outro Pessoa, outra Espanca, quanto mais outro Da Vinci. As pessoas agora têm mais o que fazer além de passar a vida analisando a sociedade, rimando dor e amor e pintando amadas e auto-retratos. Não é ruim isso, é só diferente (contradisse totalmente agora o que eu falei lá em cima, né?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A produção tecnológica é o que representa hoje as prioridades, e não mais a arte, a cultura em seu sentido mais puro. Ela é nojenta e aliena em vários níveis, mas, sinceramente, tem sua beleza. A arte era o que unia as pessoas em tempos remotos, e a tecnologia foi o jeito que o homem achou de recuperar isso – e cá entre nós, ela sai na vantagem: dispensa a criatividade, o talento nato – se é que ele existe – e, ao mesmo tempo, dá as boas vindas à subjetividade que nela quiserem pôr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A internet, com toda a sua capacidade de banalizar TUDO, consegue sempre – e sempre de modo inovador – salientar seu lado positivo: o da sua política inerente de liberdade de expressão e informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros meios de expressão – geralmente lapidados em papel – procuram manter a tradicionalidade de certas coisas. Andam paralelamente à constante evolução da mídia, – não adianta, são obrigados – mas seguram aquilo que lhes resta do tradicional.&lt;br /&gt;E a Veja, que ultrapassa os limites do conservadorismo, vem e me publica Cala Boca Galvão na capa e ¼ de página lá no meio dedicado à morte do Saramago...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2265749912948014423-8209191214339940840?l=barbaridadesirrefletidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/feeds/8209191214339940840/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2010/09/foi-o-mundo-entao-que-cresceu.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/8209191214339940840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/8209191214339940840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2010/09/foi-o-mundo-entao-que-cresceu.html' title='Foi o mundo então que cresceu?'/><author><name>Lana Ruff</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17369907421370811421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://1.bp.blogspot.com/-NsVUAVDTZiU/TglFWYYAjTI/AAAAAAAAACI/DnLFv0dnSIo/s220/DSC04530c.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2265749912948014423.post-3229374266788544366</id><published>2010-06-29T06:09:00.000-07:00</published><updated>2011-11-14T18:46:24.391-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gödel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escher'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coisas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='barbaridades irrefletidas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bach'/><title type='text'>Reflexão das coisas bárbaras</title><content type='html'>Salve salve, cidadãos.&lt;br /&gt;Já tem um tempo que pretendo fazer um blog, mas nunca dá certo. O nome que eu quero não está disponível, não tenho tempo, não há criatividade... Voilá. Por sugestão de namorado, escolhido um nome; férias de faculdade iniciadas e notícias ofuscadas pela Copa (logo, semi-férias no trabalho também); quanto à criatividade... dá-se um jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘Barbaridades irrefletidas’ surgiu de uma conversa sobre um livro chamado Gödel Escher Bach: An Eternal Golden Braid. O autor interliga as teorias de um matemático, um pintor e um músico através de espécies de paradoxos e ‘strange loops’ (voltas estranhas). Gödel atribui a sistemas formais da matemática ‘egos’, mas diz que eles não possuem significado. Escher é aquele que pinta imagens desesperadoras, como a da Waterfall, da mão pintando outra mão, dele se olhando numa bola de cristal. E as ‘strange loops’ em Bach estão em suas composições, que diz o autor serem matemáticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três, de alguma forma, através do tempo, estão interligados por suas teorias, que vêem um pouco além da superfície das ‘coisas’, ou do significado delas. Se há um significado estabelecido para uma coisa, ainda não se conhece a verdade integral acerca dela. O que é o ego, como ele surge de moléculas inanimadas, e como ‘coisas’ abstratas que chamamos de sonhos ou sentimentos ficam retidas dentro de ‘coisas’ concretas que chamamos de corpo? Qual a relação dessas ‘coisas’? E qual seu significado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, são viagens como essa que me fazem ver que ainda precisamos pensar muito. As coisas estão lá e a gente não percebe. As coisas existem, mas ninguém reflete sobre elas. As coisas são tantas que passam despercebidas, e a gente esquece de vê-las, observá-las, questioná-las. As coisas são, mas o quê? E por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas são o assunto desse blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu devesse mudar seu nome para ‘As coisas’.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2265749912948014423-3229374266788544366?l=barbaridadesirrefletidas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/feeds/3229374266788544366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2010/06/reflexao-das-coisas-barbaras.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/3229374266788544366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2265749912948014423/posts/default/3229374266788544366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barbaridadesirrefletidas.blogspot.com/2010/06/reflexao-das-coisas-barbaras.html' title='Reflexão das coisas bárbaras'/><author><name>Lana Ruff</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17369907421370811421</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://1.bp.blogspot.com/-NsVUAVDTZiU/TglFWYYAjTI/AAAAAAAAACI/DnLFv0dnSIo/s220/DSC04530c.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
